Tudo sobre Blockchain

4.10.2019

Apesar de ser uma tecnologia nova, especialistas preveem um futuro brilhante através da descentralização e da transparência de processos que a Blockchain proporciona.

O que é blockchain?

Em 2009, quando o Bitcoin surgiu, uma tecnologia foi criada junto com ela, o blockchain. Para sermos mais precisos, o blockchain é uma das várias tecnologias que permitiu que, unidas, o bitcoin fosse criado, mas convencionou-se usar o termo blockchain para representar todas elas juntas. O termo soa bem e pegou. Como o nome em inglês indica, blockchain é uma cadeia de blocos onde informações são registradas. São vários blocos de dados amarrados uns aos outros distribuídos em uma rede e acessível a todos os computadores, onde a transferência de informações é feita sob um conceito conhecido como Peer-to-Peer (P2P), outra das tecnologias fundamentais do bitcoin.

O P2P é uma arquitetura de rede de computadores que possibilita a transferência de qualquer dado sem a necessidade de um intermediário que faça o papel de um coordenador central. Se você já baixou um arquivo via torrent, já usou um sistema P2P.

No blockchain, temos os blocos de informação de transações. Cada bloco precisa incluir o hash das informações do bloco anterior. Por que? Para evitar tentativas de fraudes. Se alguma informação é alterada ou apagada em um bloco, por exemplo, seria necessário alterar as informações de todos os blocos subsequentes, o que demandaria um poder computacional enorme por parte de quem está praticando a fraude. Dessa forma, alterar um valor de um bloco antigo se torna praticamente impossível à medida que novos blocos forem adicionados depois deste.

Uma vez que as informações contidas neles são validadas, não há como modificar esses dados, pois são registros que estão armazenados em diversos computadores diferentes. Em outras palavras, é praticamente impossível falsificar uma informação. Praticamente, pois existe o caso dos ataques dos 51%, por exemplo: um hacker toma conta de mais da metade dos computadores de uma rede blockchain, a fim de validar transações que o beneficiam, se sobrepondo aos outros 49% da rede. Com isso, é possível alterar o consenso de quais transações são válidas. No entanto, o poder computacional necessário para esse tipo de ataque é enorme e inviável financeiramente.

Além do setor financeiro, o blockchain também pode ser usado para informações governamentais, programas de pontos, sistemas de cartórios de registro civil e imobiliário, e em vários outros setores da economia. A tecnologia do blockchain acaba com as falhas de informação, utilizando essa rede distribuída de computadores para atestar cada transação e dispensar a validação de intermediários.

 

História da tecnologia

Os diferentes aspectos da tecnologia blockchain começaram a serem desenvolvidos em 1991 por Stuart Haber e W. Scott Stornetta. Eles foram visionários na criação de uma corrente de blocos criptografados e digitais para registrar documentos. Também é preciso citar os trabalhos de Nick Szabo (Bit Gold), Adam Back (Hashcash), Wei Dai (B Money) e Hal Finney (RPoW) que contribuíram bastante para o desenvolvimento da tecnologia.

Mas de fato, o primeiro exemplo de uso da tecnologia é o Bitcoin. Ele foi inventado como uma resposta ao establishment financeiro.

Seu lançamento, em 2009, imediatamente após o colapso financeiro de 2007/2008, não é uma coincidência. Satoshi Nakamoto, a quem se atribui a criação do Bitcoin, montou a estrutura da primeira criptomoeda, pautado no idealismo democrático, incentivando a autonomia individual dentro do sistema monetário, muito influenciado pelo movimento cypherpunk e pelo manifesto cripto-anárquico de Tim May.

blockchain vai muito além do Bitcoin. Depois da criação dessa criptomoeda, outros desenvolvedores começaram a evoluir os conceitos da tecnologia de ledger distribuído, resultando em novas aplicações com blockchain em variadas áreas.

 

Como novos blocos são criados e validados na rede?

“O blockchain garante a segurança das transações de criptomoedas, mas é um sistema custoso para manter porque necessita dos mineradores, que ganham incentivos financeiros para minerar”, afirma Serguei Popov, PhD em matemática pela universidade de Moscou, professor do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imecc) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e cofundador da Iota, criptomoeda criada para a Internet das Coisas, que elimina a necessidade do pagamento de taxas para transações.

Cada bloco dentro de uma blockchain contém alguns dados. No caso do Bitcoin, os dados são uma série de transações da criptomoeda. Esses dados são organizados em um único bloco digital e são confirmados sempre pela rede de mineradores. Eles é quem transmitem esse novo bloco de transações de Bitcoins no blockchain. Em cerca de 10 minutos, há a criação de um novo bloco, e a esse processo damos o nome de mineração (mining). Esta ação vincula o novo bloco à cadeia de blocos já existente.

E sim, o blockchain tem a capacidade de simplificar transações financeiras. Além disso, acabar com a necessidade de intermediários gera maior eficiência e redução de custos. As informações são compartilhadas entre vários computadores. E ainda é possível acessar todas as informações que constam no blockchain. Esse processo reduz o uso de documentações em papel, diminui a burocracia e acelera os negócios.

As informações do blockchain são hospedadas no que chamamos de “Nós” (nodes). Os Nós são computadores que mantém uma cópia inteira ou parcial do blockchain. Diferentemente dos mineradores, nem todos os Nós da rede tentam encontrar o próximo bloco na sequência. Em vez disso, eles validam as transações e se comunicam com outros Nós e mineradores. Você pode pensar em Nós como torres de retransmissão.

 

Mas como é a mineração de fato

Vamos explicar o conceito de mineração de bitcoins, mas cada blockchain pode ter seu próprio processo de mineração ou de consenso. A mineração consiste no processamento, na validação e na proteção digital de transações dentro dessa rede descentralizada, e é feita por computadores especializados.

Os mineradores ficam responsáveis por resolver problemas computacionais que permitem encadear as transações em blocos e confirmar a autenticidade de cada uma delas. Quando essas transações são confirmadas pelos mineradores, um bloco é gerado e adicionado ao blockchain.

“Eles são os responsáveis por organizar esses blocos, geralmente em troca de recompensas. É possível minerar em computadores domésticos, mas neste caso você não conseguiria minerar nenhuma quantidade significativa de informações. Por isso, existem as fazendas de mineração, galpões imensos com hardwares potentes para a mineração”, explica o professor Serguei Popov.

Segundo ele, poucos países possuem energia elétrica barata o suficiente para manter essas fazendas de forma lucrativa. O custo chega a US$ 100 mil, só com energia elétrica. A maioria está na China, na Islândia e na Rússia.

No início do blockchain, cada recompensa pela mineração de cada bloco valia 50 bitcoins. A recompensa é reduzida pela metade a cada 210.000 blocos, que leva cerca de quatro anos (em média). Atualmente (em 2019) a recompensa por um bloco vale 12,5 bitcoins, por exemplo.

A emissão é definida no código, para que os mineradores não possam enganar o sistema ou criar bitcoins do nada.

 

Como os blockchains são categorizadas?

Os blockchains são divididas em dois tipos principais:

Blockchains públicas:

Um software de código aberto é usado por todos que participam da rede. Qualquer pessoa pode participar e a rede tem uma base global. Muitos criptoativos, por exemplo, são criados em blockchains existentes – os tokens ERC20 são o exemplo mais conhecido, criados no Ethereum.

Blockchains privadas:

Usam os mesmos princípios que os públicos, exceto que o software é proprietário e hospedado em servidores privados. Empresas como o WalMart estão desenvolvendo suas próprias redes para rastrear a logística da cadeia de suprimentos.

 

Blockchain não se resume a criptomoedas

Apesar de representar a principal aplicação da tecnologia blockchain, o sistema monetário não é sua exclusividade. Deixamos isso claro no começo do artigo e agora vamos apresentar alguns exemplos de como ela já transformou outras indústrias que trabalham de alguma forma com dados e transações.

 

Contratos inteligentes (Smart contracts)

Um contrato inteligente é um código automatizado de computador que tem como objetivo facilitar, verificar ou impor digitalmente a negociação ou a execução de um contrato. Eles podem ser criados em alguns blockchains para auto executar os termos de uma negociação, que foi posto no código.

Eles são contratos digitais que podem ser parcial ou totalmente executados sem a intervenção humana. Um dos principais objetivos é automatizar processos comumente burocráticos, e com isso, reduzir custos e aumentar a confiança entre os usuários envolvidos.

Tokens

Um token é um tipo de smart contract e representa uma unidade de valor, tal qual uma criptomoeda. Eles podem ser usados em uma série de aplicações digitais diferentes. Podem ser divididos, em geral, em duas grandes categorias:

  1. Token de Valor Mobiliário (security token): mais utilizado no âmbito do mercado financeiro, representa algum ativo real, como contratos de investimento, imóveis ou ações, por exemplo.
  2. Token de Utilidade (utility token): é usado para garantir o acesso a um produto ou serviço. Um programa de milhagens, por exemplo.

Um token pode ser usado para conceder um direito, pagar por um trabalho ou simplesmente transferir dados, como um bônus para colaboradores de uma empresa  ou uma melhor experiência do usuário em uma plataforma.

Healthcare

A tecnologia blockchain também pode ser empregada em setores tradicionais, como o da saúde. Com uma rede descentralizada, mas para a qual todos os hospitais consigam requisitar acesso, os pacientes poderão disponibilizar seus dados e informações que desejam fornecer, e selecionar com quais médicos querem compartilhar. Além disso, deixarão de armazenar informações em bancos de dados privados que podem ser negociados com redes de farmácias, por exemplo.

É importante entender que os dados do paciente são do paciente, não dos hospitais, independente se o estabelecimento é público ou privado. O blockchain também conseguirá agilizar outras questões da saúde com relação aos processos dentro e fora do hospital. Imagine que, com o blockchain, repassar as informações para acionar um seguro saúde poderá ser um processo muito mais eficiente do que o atual.

Essa tecnologia tem a capacidade de alterar todos os aspectos da economia digital. Isso inclui a realização de negócios, prestação de serviços, entretenimento, setor imobiliário. O número de aplicações diferentes é praticamente incalculável. Os usos são extremamente variados e poderíamos citar vários, mas agora vamos falar do futuro dessa tecnologia.

 

O futuro da blockchain

Dentre os muitos usos do blockchain, um deles chama a atenção para mudanças significativas na forma como vivemos em sociedade: o pagamento de impostos para o Estado.

Quando o dinheiro dos nossos impostos chegam na mão do governo atualmente, é muito difícil rastrear o dinheiro e confirmar se ele realmente foi usado para saúde, educação, infraestrutura, saneamento básico ou dezenas de outras atividades ao qual se destinam.

Com a tecnologia de blockchain, rastrear o destino dos impostos seria simples, já que as informações de transferência desses recursos são públicas. Com isso, a sociedade conseguiria agir diretamente contra a corrupção, por exemplo, usando tecnologias digitais simples para resolver um dos grandes problemas do Brasil e do mundo hoje, e que também afeta negativamente os negócios.

Para recapitular: os principais aspectos da tecnologia blockchain são a transparência de processos e das informações; a descentralização da rede, que garante a confiabilidade dos dados; a segurança digital, por conta da criptografia; e a integridade da rede, por conta de processos claros, envolvendo diversos computadores diferentes confirmando e validando cada informação que é armazenada na rede. “O blockchain é o futuro e veio para ficar”, ressalta o professor Serguei Popov.

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