Como funciona o mercado de ativos digitais

2.11.2019

Investidores e empresários do setor financeiro começam a olhar o mercado de ativos digitais com bons olhos. 

A última década foi intensa para a economia digital. A criação do blockchain e do bitcoin em 2009 e o surgimento de todas as outras altcoins nos anos seguintes geraram uma nova classe de ativos descentralizados, os ativos digitais.

Os anos foram passando, mais profissionais de tecnologia e de negócios foram se envolvendo com as comunidades de desenvolvedores dos blockchains e entendendo o potencial disruptivo dessa tecnologia.

Entenderam também como ela poderia ser usada no mercado tradicional de ativos. A partir desse ponto em diante, começaram a estruturar planos de negócio para atuar com soluções justamente neste setor.

Com isso, algumas instituições bancárias e outras empresas que fazem gestão de investimentos começaram a enxergar essas soluções como uma disrupção a ser abraçada, e não como uma tecnologia inimiga e concorrente.

Digitalizar os ativos de suas carteiras de investimento, criando ativos digitais via blockchain, será um passo necessário para continuar no mercado no século XXI.

Esse é um processo conhecido como tokenização, que digitaliza os ativos de uma carteira criando security tokens. Esses tokens representam digitalmente os ativos que compõe seu lastro, podendo ser ações de empresas, imóveis, cotas de fundos, ou quaisquer outros ativos já conhecidos dos investidores que possam gerar retornos financeiros.

Mas qual é o efeito principal dessa digitalização de ativos?

 

Como funciona o mercado de ativos digitais?

É preciso diferenciar esse mercado de ativos digitais para entendê-lo melhor do ponto de vista de um investidor.

Existe o mercado de criptomoedas (como bitcoin e ether) e tokens não regulados (como utility tokens). Essas criptomoedas geralmente são negociadas por meio de exchanges.

Também existe o mercado de ativos digitais no formato de security tokens. Esse mercado é composto por tokens lastreados em ativos reais. Em outras palavras, são ativos do mundo real, como imóveis, carros, ações de empresas, entre outros bens que lastreiam algum tipo de valor ao token. Por isso, o nome de security token. Essa indústria está apenas começando a usar a tecnologia blockchain.

 

Mercado de ativos digitais no Brasil é novo

Acompanhando a tendência global, o Brasil vem amadurecendo em relação ao mercado de negociação de ativos digitais. Há várias exchanges já consolidadas no mercado e, inclusive, alguns players mais reconhecidos e envolvidos no mercado tradicional de ativos também começaram a se envolver com ativos digitais.

Complementarmente, as regulamentações por parte do governo e outras autoridades também estão caminhando bem e empresas de diversos setores estão apostando na tecnologia de blockchain como uma opção para agilizar os processos de negociação de ativos digitais, também levando mais opções de investimentos aos seus clientes.

 

Os digital assets estão transformando o mercado de capitais?

Sim. Essa é a resposta mais direta. Esse é o segmento mais nítido onde a tecnologia blockchain impacta: a criação de um novo mercado de capitais global, alimentado por ativos digitais ou tokens.

O interessante é que as tecnologias usadas podem ir muito além da ambição e do sonho: os tokens têm o potencial de criar novas oportunidades para a formação de capital, liquidez e uma gestão mais eficiente de ativos em uma variedade enorme de setores.

Por exemplo, quando negociados em uma plataforma blockchain regulada e criada para esse fim, esses tokens promovem a liquidez de mercados já estabelecidos que podem estar estagnados, criando ativos negociáveis inteiramente novos – como tokens imobiliários – e permitindo uma forma mais padronizada de negociação de ativos pouco atrativos, como títulos corporativos.

O fato é que o mercado de ativos digitais está amadurecendo rapidamente desde os primeiros dias do bitcoin, com o apoio de tokens lastreados em ativos reais.

 

Mas onde está a grande transformação?

Muito mais direcionada para a otimização da eficiência dos processos que envolvem os investimentos, bem como na redução dos custos para os usuários desses serviços, combinando a negociação, liquidação e custódia em uma única oferta de serviço.

Essa mudança agiliza o processo e traz praticidade para os investidores, que com os ativos digitais podem selecionar investimentos de qualquer lugar do mundo de forma simples, rápida e totalmente conectada, dentro de uma plataforma específica. Você consegue imaginar se conectando no home broker da sua corretora de ativos digitais e comprando ativos ao redor de todo o mundo?

 

Investimento em ativos digitais: o futuro?

O ritmo da inovação está aumentando e as tecnologias digitais estão começando a ser usadas em conjunto, enquanto mais segmentos do ecossistema do mercado de capitais estão se movendo em direção a plataformas compartilhadas.

É provável que o cenário de negociação pareça irreconhecível para sua forma atual, com os ativos atuais totalmente digitalizados e novos tipos de ativos digitais sendo negociados em mercados que ainda nem existem hoje.

No entanto, há muitos desafios. Um deles é quando blockchains como o Ethereum são usadas para dar suporte à uma infraestrutura de mercado de security tokens.

Isso acontece porque plataformas como o Ethereum simplesmente não foram pensadas para esse tipo de uso e precisam de várias adaptações para servirem a este propósito. Nesse sentido, talvez blockchains específicas serão mais adequada para enfrentar estes desafios:

  • Trabalhar de acordo com o ambiente regulatório
  • Proteção dos dados digitais do investidor e controles de KYC/AML
  • Integração com sistemas existentes
  • Fornecer um novo caminho para a base global de investidores que atualmente usa o sistema financeiro tradicional para investir

Atualmente, as empresas do setor financeiro ainda não possuem uma integração total com ativos digitais, uma variedade de carteiras interoperáveis ou a participação de algumas das empresas inovadoras que impulsionam essa nova abordagem para a captação de capital.

Mas tudo é uma construção. Os players tradicionais do setor financeiro estão se movimentando nesse novo caminho e em breve a oferta de security tokens se tornará algo tão comum como a negociação de ativos já praticada no mercado tradicional.

O fato é que esses novos ativos digitais, com bases legais e suporte de custodiantes e emissores do mundo real, permitirão transações em tempo real e 24 horas por dia, sete dias por semana, algo nunca antes praticado no mercado de negociação de ativos.

Além disso, essa nova modalidade permitirá também liquidação final e conformidade regulatória total, liberando uma liquidez valiosa e fornecendo eficiência para emissores e investidores em todo o mundo.

 

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