As diferenças entre Blockchain e DLTs

3.1.2020

Conheça as principais distinções entre tecnologias distribuídas de ledger e blockchains

Embora muitas vezes os termos sejam utilizados de forma intercambiável, blockchain e DLT ou Distributed Ledger Technology (tecnologia de ledger distribuído) são na verdade duas coisas diferentes. Ledger é o termo em inglês para “livro-razão” ou “registro contábil”.

Sim, todas os blockchains são DLTs, mas nem todas as DLTs são blockchains. Sim, os dois geralmente se referem a um registro de informações que são distribuídos por uma rede e, sim, promovem um maior grau de transparência de informações do que o permitido por bancos de dados centralizados ou registros digitais tradicionais.

No entanto, o tema tem gerado muita confusão na compreensão dessas novas tecnologias, em especial entre o público leigo, e definitivamente é algo que precisa ser esclarecido, já que os conceitos não são a mesma coisa.

Então, qual é a diferença entre blockchain e tecnologia de ledger distribuído (DLT)?

 

O que são DLTs?

Uma tecnologia de ledger distribuído representa um banco de dados digital com informações virtuais copiadas, compartilhadas e sincronizadas, espalhadas geograficamente por vários pontos – os Nós – em um ecossistema ou rede.

Não há um administrador central como em um banco de dados padrão, de uma instituição bancária ou de um governo, por exemplo. Em vez disso, os sistemas têm um banco de dados sincronizado que fornece um histórico verificável e auditável de informações que podem ser acessadas por qualquer pessoa nessa rede.

Os ledgers – termo que de forma geral significa “registro contábil” em português – dependem de princípios semelhantes ao consenso em um blockchain, mas definitivamente não são a mesma coisa.

Assim como um blockchain, um DLT consiste em “nós” na rede que empregam diferentes processos de acordos para chegar a uma conclusão comum, um consenso de rede, sobre a validade de determinado dado ou informação.

Diferente de outros bancos de dados centralizados, uma DLT não possui um ponto único de falha, ou um servidor central de armazenamento. Neste tipo de rede descentralizada, todos os arquivos podem ser verificados por qualquer usuário autorizado da rede, pois existem cópias das informações em cada um dos nodes, ou nós, todas com registro temporal e uma assinatura criptográfica exclusiva, garantindo a vericidade da informação.

Bom, até que aqui blockchains e DLTs parecem exatamente a mesma coisa. 

De fato, eles compartilham de uma origem conceitual e um propósito consideravelmente próximos, mas são diferentes: o blockchain foi inventado por Satoshi Nakamoto em 2008, quando ele desenvolveu a criptomoeda bitcoin. Os blockchains costumam utilizar blocos ligados por hashes, em uma cadeia sequencial para armazenar as transações feitas na rede ou conjuntos de dados.

Uma grande diferença entre um DLT e um blockchain é o grau de descentralização da rede. Os blockchains são tradicionalmente públicos e open source, ou seja, qualquer pessoa pode se conectar na rede. Os blockchains usam um algoritmo de consenso – Proof of Work, Proof of Stake, entre outros – que determina como novos blocos são adicionados, o que também é feito de maneira diferente das DLTs.

 

Abertura, descentralização e criptografia

A abertura, descentralização e criptografia são pontos em comum dos blockchains e das DLTs e que muitas vezes fazem parecer que os dois conceitos são a mesma coisa. Para alguns especialistas, o blockchain, que permite o funcionamento do bitcoin, é mais inovador e tecnicamente superior às DLTs.

Por outro lado, para outros profissionais da área, as DLTs são tecnologias muito mais úteis em relação aos uso comercial das tecnologias descentralizadas. Existem duas diferenças principais entre blockchain e DLTs: primeiramente, blockchains geralmente são públicos, o que significa que qualquer um pode visualizar o histórico de transações ou participar nessas operações caso queira. Elas são redes que não necessitam de permissão para acesso. Qualquer um que quiser se tornar um Nó, ou node, pode fazer isso tendo conhecimento técnico suficiente.

Em outros casos, apenas participantes selecionados podem acessar e utilizar as funcionalidades da rede em questão, o que também determina o tamanho dela. O blockchain do bitcoin, por exemplo, quer crescer infinitamente.

De forma simples, o aspecto público dos blockchains geralmente deixa implícito três pontos interligados:

  • Qualquer um pode usar um blockchain
  • Qualquer um pode se tornar um Nó em um blockchain
  • Qualquer um que se torna um Nó pode atuar com parte do mecanismo de governança do blockchain, o que torna a estrutura mais descentralizada, democrática e resistente ao controle unificado e centralizado.

Por outro lado, uma DLT geralmente não habilita a maioria desses recursos para o público. Ela restringe quem pode usá-lo e acessá-lo e também quem pode operar como um Nó. Em muitos casos, as decisões de governança são deixadas para uma única empresa ou órgão centralizado, ou no máximo, um conjunto delas.

Comparado ao ideal de um blockchain público descentralizado, ela existe apenas para atender aos interesses de um grupo concentrado de players.

 

Os 3 tipos de redes

Existem basicamente três formatos de rede diferentes e que são necessários para a compreensão dos conceitos de finanças descentralizadas e tecnologias de blockchain:

  • Centralizada
  • Descentralizada
  • Distribuída

Os sistemas ou redes centralizados são relativamente mais intuitivos e fáceis de entender e definir. Isso porque o próprio nome já explica o conceito: uma rede com uma central que conecta todos os pontos e fornece acesso às informações.

Esse foi o sistema que reinou praticamente sozinho durante boa parte do século 20 e foi utilizado pela maior parte das empresas e governos ao redor do mundo. Os computadores de usuários finais também se utilizavam desses sistemas centralizados para se conectar à Internet, por exemplo.

A rede descentralizada ganhou bastante atenção nos últimos anos principalmente por conta da popularização do bitcoin. Em 2020, muitas empresas pretendem começar a explorar aplicações que utilizam sistemas do tipo.

Neles, cada Nó toma sua própria decisão. Essas decisões vão sendo agregadas por alguns Nós maiores que somam as decisões e chegam a um consenso. É um sistema totalmente sem uma centralização das informações e do método de consenso.

Por fim, temos a rede distribuída que conceitualmente é bem parecida com a rede descentralizada. No entanto, uma diferença se destaca aqui: cada Nó é totalmente independente e interconectado com outros Nós.

 

Outros pontos sobre as diferenças entre blockchain e DLT

Uma força fundamental do blockchain é sua sequencialidade: um bloco extraído – uma vez aprovado pela maioria dos mineradores – se baseia em outro. O próximo bloco é colocado no topo e o bloco anterior não pode mais ser alterado.

Esse método evita ramificações, pois os forks das redes simplesmente não são sustentáveis a longo prazo. Mas essa sequencialidade também atrasa imensamente o processo de construção de blocos.

 

Um futuro melhor através de um mundo descentralizado

O potencial de transformação dos sistemas descentralizados é maior do que a maioria das pessoas pode imaginar. E provavelmente será ainda mais impactante se a implementação dessas tecnologias acontecer corretamente, desenvolvendo a economia digital.

Alguns aplicativos inteligentes já estão sendo criados e desenvolvendo soluções para áreas como:

Um ledger distribuído, seja blockchain ou DLT, tem um potencial incomparável. As soluções híbridas já demonstraram seu valor. O mercado financeiro é apenas um dos setores em que os sistemas descentralizados se destacam no fornecimento de soluções. E para o crescimento dessas operações, a adoção do usuário será fundamental.

Os desenvolvedores entendem isso e estão descobrindo novas maneiras de integrar a tecnologia blockchain às práticas comerciais modernas e às necessidades do indivíduo. A Lightning Network do Bitcoin, o DeFi da Ethereum e outras plataformas e soluções mostram os novos caminhos para os problemas financeiros existentes no mundo.

 

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